Leafar teve um dia tranquilo e muito alegre, o ultimo dia de aula é sempre assim e foi também o ultimo dia de aula do semestre de seu curso técnico. Já passam das 11:00 da noite(o curso técnico é noturno)
-Agora é só ir embora e descansar… Pensa Leafar.
-De agora em diante nada de números binários, banco de dados , hardware, software por um bom tempo (o curso é de informática).
Leafar passa pela ponte que é a passagem para o seu bairro, a rua está vazia e quieta só se ouve o barulho de seus passos, o tempo está fresco, nem quente, nem frio, mas o céu cheio de nuvens e provavelmente irá chover em breve. Ele anda tranquilo e perto de chegar em sua casa, que fica em uma rua no alto de um morro, ele resolve cortar caminho por uma pequena trilha, subindo pelo morro por um terreno baldio e muda de percurso passando por uma parte mais escura do bairro. Leafar sempre passava pro ali quando queria pensar, pois , ali era alto e dava pra ver as luzes de toda a cidade e Leafar gostava de se imaginar voando pela cidade, seu sonho era poder voar. Antes de chegar aos pés do morro ele passa por um cãozinho ainda filhote mas já devia ter alguns meses, era bem tratado não sabia ao certo a raça mas ia crescer bem.
-Olá cachorrinho…Diz Leafar…
E começa a brincar com o cachorrinho. O cachorrinho gosta muito da brincadeira, fica muito feliz e começa a latir meio chorando de alegria e gostava muito dos carinhos de Leafar, que começou a correr e pegar o cachorrinho no colo e jogar coisas para ele buscar só que ele não entendia como se brinca assim e só pegava o graveto e corria feliz da vida, até que os dois ficam cansados.Até que começou a chover uma garoa fina e fria, Leafar se levantou e foi indo embora e olhou pra traz e o cachorrinho começou a ir atrás dele seguindo-o pelo caminho com o rabinho entre as pernas olhando com vontade de ir junto.
-Puxa o que eu vou fazer agora? Não posso levar ele para casa…
-Já está tarde…
Leafar fica muito preocupado com o cãozinho e volta se ajoelha e faz um ultimo carinho no filhote. Nisso ele olha nos olhos do cachorrinho e começa a pensar em como aquele lindo filhote foi parar lá. Olha em volta e vê que bem perto dali está uma caixinha de presente toda amassada e um pouco judiada, dentro tem alguns ossinhos roídos e o que parece ser um convite para uma festa.. Leafar vê endereço e percebe que é da casa em que as pessoas se mudaram de lá a uns dois dias.. é onde está a caixinha e então Leafar percebe o que aconteceu ao olhar nos olhos do cãozinho.
Ele foi um presente para o garotinho da casa, mas o garoto se recusava a brincar com ele. Por um tempo os pais desse garoto mimado, cuidaram do cãozinho mas perceberam que isso era um peso e apenas uma única vez brincaram com ele. Quando o colocaram de novo na caixinha e o deixaram na casa e se mudaram. Nem mesmo deram um nome a ele.
Leafar nunca entendeu muito bem o por quê, mas, sempre depois de olhar profundamente nos olhos de animais e pessoas que ele se importava, ele as entendia e simplesmente sabia o que aconteceu era como se ele visse tudo através dos olhos das pessoas e sentia tudo o que sentiam, via por onde haviam passado, por isso ele era muito procurado para se desabafar.Leafar era uma pessoa muito boa e ao olhar no seus olhos castanhos você poderia ter certeza que alguém te entende e sabe o que você sente, é realmente algo único.
Depois Leafar com seu olhar de uma forma única que apenas Leafar entende, fez com que aquele cãozinho sentis-se pela primeira vez que alguém se preocupa com ele que alguém queria bem dele, neste instante uma lágrima desce pelo seu olhar triste e com um pingo de conforto e volta para sua caixinha.
Leafar volta para o seu caminho e enquanto passa pelo atalho começa a pensar que durante toda as ferias ele iria levar comida e agua para aquele cachorrinho. No meio do caminho dois sujeitos muito mau encarados passam por ele. Leafar não os conhecia mas sabia que não eram as melhores pessoas da terra. Eram bem conhecidos do bairro, usavam drogas, batiam nas pessoas gostavam de dizer que curtiam a “vida loca”.
Mas passaram direto por Leafar que era grande e imponente com seus 1,89 de altura que inpunham certo respeito as 11:55 da noite. Quando Leafar está chegando em cima do morro escuta no silencio da madrugada as vozes dos 2 sujeitos dizendo alto e com tom de superioridade comum entre este tipo de pessoas:
-Ai mano!! Olha só para você ver o que faço com essa peste!!!
Neste momento o coração de Leafar começa a bater mais rápido, e com um gelo descendo sua coluna ele para e raciocina em questão de segundos, que pela voz e o tempo que passaram por ele que estavam perto da casa onde estava o cãozinho.
Instantes depois escuta os gritos o cachorrinho , chorando alto, o latido de filhote e se vira e começa a descer o morro e houve barulho de pauladas batendo em algo e depois houve um ultimo latido longo e doloroso e as vozes dando gargalhadas e gritando:
-Boa mano ha ha ha isso ai véi.
Nisso vem a sua memória os gritos que ouvira naquele sonho que já tivera tantas vezes, seu coração se enche de raiva e ódio e sente a raiva tomando conta de seu corpo e não sente mais os pingos da chuva e então começa a correr bem rápido na direção das voz e então ele olha e ve de longe sua visão começando a ficar escura, o sangue ferver e chega perto e então……
Leafar acorda em sua cama, molhado de suor.
- O quê? foi… um sonho?
-O quê aconteceu?
Muito confuso Leafar fica na cama. Ainda com o coração disparado mas sem raiva, Leafar fica uns instantes tentando se lembrar se algo realmente aconteceu ou se foi só um sonho… Era a primeira vez que se sentia assim mas faz muito tempo que algo assim acontecera… Só havia se sentido assim após de acordar daquele sonho.
Enquanto ainda pensava viu seu pai no quarto com pressa.
-Leafar.......Leafar.... Acorde!!! Venha ver o que aconteceu aqui perto de casa. Saiu até na televisão!!
Ele sai do quarto e aponta a o dedo para a tv da casa na sala.
Leafar muito curioso se levanta e vai ver. Ele vê que é perto mesmos de casa bem perto do terreno por onde ele passa para ir e voltar do curso técnico e a repórter mostrava e dizia.
-Noticia urgente! Dois homens foram encontrados em estado grave em estado de choque. Estão sendo encaminhados para a UTI.”
O rapaz que os encontrou diz:
-Estranho nunca vi nada igual eles parecem estar mais com medo do que machucados.
-Estavam em estado de choque completamente apavorados, com olhos fixos no nada e tremendo e chorando muito... Não piscavam... Você ficaria com muito medo só de olhar nos olhos deles..
Nisso Leafar tem alguns flash(s) dele correndo atrás dos homens na noite passada e depois deles sendo jogados e gritando apavorados...
Continuando vendo a reportagem.. O repórter mostra imagens do local, em volta estava tudo parcialmente destruído, com marcas de garras, tinha janelas despedaçadas, carros com a pintura gasta, e metais retorcidos...
-Não é possível! Será que realmente aconteceu?
Depois sai para ir comprar pão para tomar café, e quando está voltando ele vê o cãozinho da noite passada passando por lá bem alegrinho e contente…
Então ele teve a certeza de que algo aconteceu a noite passada e ele começa a se lembrar das muitas vezes que ele se sentiu daquele jeito e dos acontecimentos estranhos que aconteciam quando ele se sentia assim.
Ao entrar em casa encontra os pais assustados e olhando para uma carta. Mas não era uma carta comum, era do estilo daquelas cartas que se vê em filmes, com um papel diferente e no centro um estranho símbolo que parecia ser um brasão de família.
Ao ver o símbolo o coração de Leafar dispara, pois ele já havia visto aquele símbolo antes. e não era em filmes ou associado a algo bom era o mesmo símbolo que se via nos seus piores pesadelos, era o símbolo que ele via nas paredes da mansão onde se ele teve os piores e mais reais sonhos que até hoje o assombraram a vida toda.
mas o que será que tem naquela carta? Por que os pais estão o com ela e assustados??
não perca o próximo capitulo de “Leafar”




